ZIM COLOR por Lore Caliman



Minha marca é a Zim Color, uma empresa que produz e vende o primeiro pó colorido orgânico feito em grande escala no Brasil - seus componentes são o amido de milho e corantes alimentares. A marca foi criada em 2012 e de lá pra cá o projeto, que era artesanal, tomou proporções maiores de forma que hoje nosso produto é usado por pessoas de todo o Brasil, incluindo artistas, videomakers, fotógrafos, produtores de eventos etc. Nosso foco é trazer interação, união, alegria e criatividade para as pessoas através das cores, e nesse caso nossas cores em pó representam a facilidade que todos temos de nos colorir com algo tão macio e gostoso - uma experiência sensorial que passa não somente pela visão, mas também pelo tato, pelo toque. 

A Zim (apelido da marca e nome do produto, o pó colorido Zim) sempre teve a intenção de servir como um catalisador de experiências criativas na vida de pessoas de qualquer idade. Por meio de algo muito simples, coisas incríveis e momentos inesquecíveis podem acontecer. O Zim é um convite a sair de casa e tornar-se cor, ou várias cores. Todos se tornam um só arco-íris e assim ficam despidos de seus preconceitos. =)

Como ou de onde surgiu seu projeto?

A história é bem longa e talvez eu não seja a pessoa ideal para contar! Rs. Mas resumindo, o Zim surgiu da vontade de realizar aqui no Brasil uma performance que trouxesse a ideia do Holi Festival hindu, uma celebração milenar que acontece durante a primavera e envolve diversas crenças do povo indiano, mas que basicamente comemora a chegada dessa estação colorida e a vitória do bem contra o mal. Pablo Arruti, diretor e criador do Zim foi quem teve essa ideia em 2012, para uma apresentação artística no festival Terra em Transe, na praia dos Garcez. Na época ele pensou em adquirir o produto pronto da Índia, mas devido à dificuldade e custos de importar uma quantidade grande, resolveu criar uma forma de fazê-lo por conta própria. Felizmente deu certo e foi aí que a história começou. A intervenção, feita juntamente com a organização do festival deu super certo (ocorreu no reveillon de 2012 para 2013) e com as fotos tiradas nesse festival, as pessoas começaram a saber do produto através da internet.



O que te transformou nesse processo?

No meu caso específico, aprendi a superar mais as dificuldades e (tentar) não desanimar diante de grandes obstáculos. Já passamos por muitas histórias e dificuldades, seja para a fabricação do produto, para o envio, para lidar com as pessoas em geral, sejam elas clientes ou fornecedores e parceiros - a dificuldade é muito maior quando você tem uma coisa nova que ninguém conhece: imagine no início pra explicar às pessoas o que era que a gente fazia e vendia! Todo dia é um desafio e isso acaba te deixando mais forte. Com certeza me sinto até mais adulta (rsrs) hoje em dia, quase dois anos depois de ter me unido ao projeto.

No que você aposta mercadologicamente falando?

Na minha visão, nós apostamos na ideia de que as pessoas vão se permitir brincar e interagir de uma forma mais criativa do que vêm fazendo até agora.  "Se sujar", como muita gente diz (prefiro dizer: se colorir), não é algo ruim, mas uma oportunidade de conhecer um outro lado de nós mesmos, um lado com menos medo e mais abertura. A ideia foi aceita primeiro para os adolescentes e jovens frequentadores de festas e festivais de música eletrônica, mas atualmente nossa visão é levar essa sensação aumentada para as crianças, que são quem recebe a ideia do Zim com mais  alegria. 

Alguma história para contar?

Dois momentos muito interessantes na história do Zim até agora que vêm à minha cabeça. Primeiro: a primeira edição do Festival da Primavera da prefeitura de Salvador, em 2013, quando levamos Zim gratuitamente para o Rio Vermelho, por não termos conseguido à época o apoio da prefeitura, para ver como seria a reação das crianças. Na época não tínhamos quase estrutura e estoque disponível, e conseguimos levar uma quantidade de 70kg do produto em baldes, supostamente para durar o dia inteiro. Quando chegamos lá, a resposta do público foi incrível e o Zim acabou em menos de 3 horas. As crianças pintaram uma boa parte da rua da Paciência com seus pais, criando desenhos. Isso foi em 2013. O legal foi que em 2014 nós repetimos a brincadeira, dessa vez com mais produto, pois a prefeitura apoiou a ideia e comprou o Zim diretamente com a gente pra distribuir gratuitamente para a criançada. Apesar de toda a loucura que foi a disputa pelos saquinhos (rs), foi muito legal. 

Outro momento que me marcou bastante foi a última edição do festival Universo Parallelo, na praia de Pratigi, no reveillon de 2013 pra 2014. Nós conseguimos apenas as entradas para o festival como contrapartida para uma intervenção artística, mas levamos 200kg de Zim (uma quantidade enorme considerando principalmente que não dá pra entrar de carro no espaço do festival). Foi bem difícil  e trabalhoso, mas o resultado foram mais de 2 dias de brincadeira com o produto e muita gente feliz. As fotos que saíram dessa ocasião são tão lindas que até hoje olho de boca aberta.  


Liste objetivamente 5 características marcantes do seu produto.

Eu diria que das muitas características do Zim, podem se ressaltar as seguintes:

- Criatividade - ele estimula você a criar consigo mesmo e interagir com o mundo;
- União - o Zim não é a união por si só, é claro, mas ele estimula esse sentimento;
- Cor! - como não podia deixar de ser, a cor é o principal atributo do Zim. Cada cor representa um sentimento e podemos misturar todos eles em qualquer brincadeira. 
- Alegria - o Zim proporciona alegria às pessoas na medida em que elas se permitem interagir e brincar. 
- Respeito - pode parecer estranho; mas o respeito surge na medida em que, quando brincamos juntos uns com os outros, passamos a aceitar nossas diferenças e ao mesmo tempo as esquecemos. 



Lorena Caliman Fontes, tem 26 anos, é jornalista, sócia e atual diretora de comunicação da Zim Color. 

LINKS: